Boletim itinerário — e porque tem de identificar o dono do carro
O que os seus registos têm de conter para resistirem a uma inspeção da Autoridade Tributária — e o valor que o DriveHub aplica.
Atualizado a
O valor por quilómetro
O limite para utilização de viatura própria é € 0,40 por quilómetro, em vigor desde 1 de janeiro de 2024. O que exceder esse limite é tributado. Só para o trabalhador reembolsado pela entidade patronal — um trabalhador independente não o pode pagar a si próprio (CIRS art. 33.º).
O documento
O que a lei trata é o boletim itinerário, também chamado mapa de deslocações. O tecto para viatura própria vem da Portaria n.º 1553-D/2008; o artigo 2.º do CIRS torna o excesso tributável.
O que o mapa tem de incluir
- O motivo da deslocação
- Os locais
- O tempo despendido
- Os objetivos
- O abono diário ou o total
- A assinatura do trabalhador a que respeita (informação vinculativa da AT, PIV 21076)
E quando é usada viatura própria, adicionalmente:
- A identificação do veículo e do seu proprietário
- O número de quilómetros
- O valor por quilómetro
- O total
A identificação do proprietário é a parte que costuma faltar. Não basta dizer que o carro é seu — o mapa tem de o identificar.
Quanto tempo guardar
Há dois prazos, e qual se aplica depende de como é tributado. Quem está no regime simplificado guarda os documentos de suporte durante os quatro anos seguintes àquele a que respeitam — CIRS art. 128.º n.º 3, com o dever de os apresentar no prazo de 15 dias quando pedidos.
Quem tem contabilidade organizada ou está registado em IVA — o que inclui todas as entidades patronais que emitem boletins itinerários — fica com dez anos a contar do fim do ano do registo (DL 28/2019 art. 19.º n.º 1, CIVA art. 52.º n.º 1), prolongados sempre que a caducidade do art. 45.º da LGT corra por mais tempo. Portugal é o caso longo da sua vizinhança: dez anos, contra os quatro a seis de Espanha.
A falta ataca a própria isenção, e não só o excesso: o CIRS art. 2.º n.º 3 al. d) tributa o abono na categoria A "quando não sejam observados os pressupostos da sua atribuição", e a entidade patronal perde a dedução nos termos do CIRC art. 23.º-A n.º 1 al. h). As coimas do RGIT vão de € 150 a € 3 750 pela falta de exibição e de € 225 a € 22 500 por não ter registo nenhum.
O que custa falhar
O excesso sobre o limite, ou um pedido sem suporte documental, é tributado como rendimento do trabalho.
Porquê uma aplicação e não um caderno
Nada disto exige software; um caderno com os mesmos campos serve. O que falta raramente são os quilómetros — são os dados que só se conseguem registar no momento e que em março já ninguém recorda: a hora, o ponto exato de partida, o motivo concreto daquela deslocação.
Esta página reproduz o que dizem a portaria e o Código do IRS, com a referência para poder verificar. Não é aconselhamento fiscal e não conhece a sua situação. Quando está dinheiro em causa, pergunte ao seu contabilista — e leve os registos.
Prefere registar à mão? Um modelo em branco com estes campos: CSV · PDF.
De onde vem isto
Os requisitos acima provêm da Autoridade Tributária. O DriveHub confronta-os, e ao valor por quilómetro, com as páginas da própria autoridade; esta página é gerada a partir desse material.
O DriveHub regista isto automaticamente. A aplicação acompanha cada deslocação em segundo plano e guarda o início e o fim, os quilómetros e o percurso. O registo e a verificação de deslocações em falta são gratuitos; o mapa para a AT faz parte do DriveHub Pro.
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